sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Indo adiante

 

Should I give up or should I just keep chasing pavements
Todos temos duas opções, pelo menos na teoria.
Mas eu apenas segui meu caminho do mesmo modo de sempre.
Ao que me parece a outra opção não existe na prática.
Sempre a minha vida não para e segue seu caminho.
E eu o sigo de modo implacável, sem desculpas.
Atropelando todos e até o meu coração.
Não sei se vou chegar a algum lugar.
Queria ficar e viver e ver a outra possibilidade.
Mas eu não posso parar, quem quiser pode esperar.
Ou tentar me acompanhar vai ser difícil.
Acho que um dia minha caminhada me fará voltar.
E quem sabe passar por onde você está.
Nesse momento talvez eu desista e resolva ficar

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Mergulho na Inocência

Dor de coração


Sinto uma dor de coração,
Não é igual a dor de cabeça,
Nenhum remédio cura.
O médico disse que estou são,
Mas meu coração pula,
Estremece, doi e rasga.
Fico vivendo sem intenção,
Vivo morrendo sem amar,
Sem gosto e sem força pra lutar.
Se chego a ouvir uma canção
Meu coração vira lágrima,
Faz tremer minha mão gelada.
Mesmo andando sem chão,
Um dia acho uma cura
E me livro logo dessa tortura.

domingo, 17 de julho de 2011

Fotogênicos



Peço desculpas às lindas modelos
Envergonho-me perante as lindas paisagens
Mas eles capturaram meus olhos
São os melhores modelos que já encontrei
Não precisam de maquiagem e nem de muitas poses
Permanecem imponentes, brincando ao vento
Contrastam ao céu azul e velam o sol
Estes são os meus prediletos
Palmeiras e coqueiros.

sábado, 9 de julho de 2011

Medo


Estou sentindo medo, sei que você não vê
Por isso eu estou dizendo: "tenho medo de viver"
Me assusta não ter controle o futuro
Tremo só de pensar no que pode não dar certo
Fico com medo de mudar ou de continuar
Quero meus amigos ao meu lado todos os dias
Não quero ficar só nem um segundo
Sinto temor por querer o que não sei se terei
Até as minhas alegrias me amedrontam
Preciso muito de sua ajuda meu amigo
Seja parte da minha segurança

terça-feira, 5 de julho de 2011

Salvador


Estive andando pela cidade nesses dias de inverno e descobri coisas mais lindas.
As cores da aurora são mais vibrantes.
A faixa cromática no horizonte após o por do sol, numa variação do púrpura a amarelo.
As ondas são mais tubulares e muito apreciadas pelos surfistas.
O vento forte balançando as árvores.
As nuvens escuras da nova frente fria que chega.
A manhã que vem tímida, de sol quente escondido entre as nuvens.
A chuva forte que lava tudo.
No inverno Salvador é ainda mais linda!

Tudo ou nada



Olhava pra ela, desejava-o muito, buscava tocá-lo.
Não fitava seus olhos, queria-os nos seus, mas não buscava-os
Imaginava um encontro todos os dias e noites
E quando os realizava ficava na mais completa felicidade
Desejava seus beijos e não somente beijos dados
Queria beijos com sentimentos, braços e coração
Ela não queria pouco, queria tudo ou queria nada.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Estive lá

Eu estive lá e, contando, ninguém acredita.
Aconteceram tantas coisas.
Tinha um morcego que ficava voando sobre minha cabeça à noite.
Mas era um lugar de sonhos, encantador.
Tinha um lindo céu estrelado e fazia um frio que chega saía fumaça da boca.
Tinha uma pastagem verde  de dar vontade de deitar.
E o lindo céu azul dessa manhã foi só pra me deixar com saudade.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Alívio do mar


Era fim de tarde e ela caminhava só pela areia.
Era o conflito de sua vida que voltava a atormentar.
Havia mudado de amigos e sentia saudades, sua vida tomara rumos não esperados.
Não os classificava como bons ou ruins, apenas diferentes.
Sentia um vazio, uma dúvida e uma grande dor.
Sentou-se a chorar na areia e olhou para o mar.
Pensou que as águas pudessem levar embora o peso que sentia.
Mas sabia que suas decisões eram suas e de mais ninguém.
Achou que mesmo que o mar não pudesse decidir, podia aliviar a dor.
Então ela foi e sem medo se deixou carregar pelas ondas.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Deusa


Sentia-se mal enquanto caminhava, quando a avistou de longe.
Não acreditou logo nos seus olhos, olhou novamente para ter certeza
E sua expressão de dor dissolveu-se em um sorriso de corpo inteiro.
Lá vinha aquela que podia controlar seus pensamentos e vontade se quisesse.
Ela andava de modo não muito glamouroso, de um jeito bem despojado.
Seus cabelos negros balançavam ao vento, mesmo quando não havia vento algum.
Mas não havia corpo mais feminino que o dela, de curvas perfeitamente desenhadas, 
Que naquele movimento de vai e vem dos quadris largos enfeitiçava.
Tinha rosto de traços fortes e marcantes, uma obra de arte sem igual,
Um sorriso largo, aconchegante e lindo, em que até a falha era enfeite.
Sua pele, de uma só cor de canela, era tão macia que instigava uma mordida.
Mas era o seu colo, de seios bem delineados que mais provocava os olhos.
Depois de vê-la esqueceu-se completamente do seu mal estar,
Só sabia pensar nela e todo o dia foi dela até os seus sonhos.

Vazio


Em mais um momento da sua vida ela disse pra si mesma: "É vivendo que se aprende"
Estava procurando explicações para o que sentia, ou melhor, para o que não sentia.
Se questionava por que mudou tão derrepente, não foi sua vida, ela mesma que mudou.
Queria ter domínio sobre seus próprios sentimentos, não do jeito que os outros,
que querem não se apaixonar quando já estão se apaixonando, não querem se deixar dominar.
Ela queria se entregar, mesmo que não devesse, se fazer amar quando estava armada contra isso.
Mas já não era possível, não que com o tempo ela não conseguisse, mas agora lhe era impossível
E isso a indignava tanto que ela sentia-se vencida pelo seu coração, queria amar e não podia.
Ficou de sentimentos inertes, de mãos atadas e com a cabeça cheia de perguntas.


terça-feira, 31 de maio de 2011

O Cheiro


O cheiro dela lhe era ímpar.
Não era o seu perfume de notas ambaradas e doces
Que, em outras pessoas ,não tinha o mesmo aroma.
Era o cheiro do toque de lábios em sua pele,
Era o cheiro dos cabelos lavados sobre o colo.
Um cheiro que ficava em sua pele por horas dos dias.
Aquele cheiro nada lhe dizia,
Apenas despertava seus instintos.
Passava o tempo respirando fundo, a se afogar.
Longe dela não conseguia imaginar seu cheiro,
Só lembrava da sensação que este causava.
Era o cheiro que vivia a lembrar.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Ela se engana

Ela mudou, não sabe exatamente o que mudou, mas sente falta do que não é mais.
Ela faz o que ela quer e não faz o que não quer. Mas mesmo sem saber, quer o que não quer e, por não saber, não o faz.
Ela fica às vezes perdida na linha do tempo da sua vida, tentando contar como chegou ali.
Ela, quando para e pensa, quer chorar, mas quase nunca pode. Ela não tem tempo pra chorar.
Ela se sente só, sente falta de ela nem sabe o que. Não dá pra saber do que sente falta quando você nunca teve aquilo que quer.
Ela se sente realizada, mas não percebe o que ganhou com tudo que fez. Não sabe nem se ganhou ou perdeu.
Ela se questiona e, nessas crises, o faz até silenciar pelo cansaço seu coração. Tem medo de se responder, não quer reconhecer se errou ou acertou. Prefere viver se enganando.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Flores

Num dia quente, daqueles em que não se sabe se haverá sobreviventes, Pedrinho estava entediado, deitado no chão assistindo à televisão. Por um momento raciocinou que o jardim estaria mais frio ou menos quente, dirigiu-se então para o jardim. Foi só chegar ao jardim para perceber que sua suposição estava errada. Mas algo prendeu a atenção de Pedrinho, o jardim da vizinha parecia mais bonito que nunca. O menino não se contentou em apena olhar de longe, foi andando pela frente da casa até o jardim vizinho. Lá estando, pôs-se a admirar tocar e cheirar as flores, de repente veio à sua mente a lembrança de sua mãe lhe dizendo que mexer com as flores da vizinha daria em briga. Lembrou-se tarde e já podia ver o vulto da vizinha na janela, não esperou muito e já estava de volta a sua casa. Sentou-se em frente à televisão e desligou-a, indignou-se por desejar as flores da vizinha mais do que qualquer outra e não poder tê-las.

domingo, 27 de março de 2011

Sonhos


 Como aqueles sonhos que passamos anos nutrindo era aquele momento para ela.
Imaginou e até sonhou com cada coisa que aconteceria naquele dia.
Planejou tudo que faria e o que falaria.
Ela não conseguia se certificar de que o que acontecia era verdade.
Era bom, mas foi ficando ruim, algo não estava saindo como nos sonhos.
Almejava perfeição maior do que a que o momento chegava a exibir.
Havia sonhado e esperado tanto por isso que a realidade não podia contentá-la.
Esqueceu-se de viver, esqueceu que nada é perfeito e ficou presa nos sonhos.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Química

Ela, que fazia graduação em química, sabe-se lá por que, questionava-se a respeito do comportamento comum nas relações humanas que desenvolvera e observara durante a vida. Em uma das suas aulas de química seu professor lhe explicou que o estado fundamental dos elemtos químicos corresponde à espécie mais simples e no estado de menor energia encontrado nas condições padrão. Soube ainda que os estados excitados são instáveis e tendem a voltar para o estado fundamental rapidamente. Ao ouvir isso, concluiu ela:"As relações humanas seguem a lei geral do universo, tendem ao estado de mais baixa energia, estados excitados não duram muito!"

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Desencontro

Ele a observou chegar, linda e suave como a brisa da manhã daqueles dias de início de primavera
Era tão linda que todos ficaram comentando
Era a novata do terceiro ano da escola, chegou no meio do ano, vinda de outro estado
Todos queriam conhecê-la melhor e trazê-la para seus grupinhos
Mas ele ficou somente observando o que ela faria
Na primeira semana percebeu que ela era muito extrovertida e brincalhona
Não gostou, evitou-a todos os meses daquele ano letivo
Até que veio a formatura e não se viram por alguns anos
No seu estágio de administração acabou por conhecer uma jovem
Estudante de jornalismo, extremamente comunicativa e bela
Se conheceram numa reunião da empresa
Ele, que já não era tão conservador, admirou a postura da moça
Convidou-a para um café depois do almoço
Desse seguiram-se muitos cafés e longas conversas na volta pra casa
Até que numa dessas descobriu que sua colega de trabalho
Não era ninguém menos do que a garota do terceiro ano
Ela contou-lhe que foi muito apaixonada por ele, mas ele não lhe dava atenção
Tentou sem sucesso se aproximar dele na época da escola
Ele se desculpou e explicou que era muito antiquado, mas que isso havia mudado
Disse que estava muito apaixonado e queria namorá-la
Ela disse que agora não poderia, estava casada e o tempo não poderia voltar atrás
Ele lamentou-se, não havia o que fazer.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Ataque


Mariazinha moça bonita, bem feita de corpo
Ficava ainda mais bonita naqueles que ela chamava dias de sofrimento mensais
E era exatamente nesses dias que ela ficava muito nervosa
Certa vez teve que sair e, na rua, não havia homem que não a olhasse com desejo
A maioria lhe dirigia comentários, Mariazinha ficava furiosa,
Mas se conteve até que um rapaz, além de falar-lhe, tocou-lhe nas mãos
A moça, que era usualmente pálida, corou, foi pra cima do rapaz
Cravou-lhe as unhas no pescoço e começou a gritar coisas sem sentido
Todos atordoados olhavam e nada faziam para acudir o rapaz
Até que um policial chegou e, a muito custo, conseguiu fazê-la parar
Não foi presa, alegou instabilidade emocional
E desde então todos os rapazes temem dirigir-lhe a palavra

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Sou feia



Era uma garota de cerca de 15 anos
Se achava a mais bela das garotas da sua escola
Sua família, que sabia do seu problema,
O escondia dela debaixo de sete capas
Faziam de tudo, tudo mesmo, para protegê-la
Mas um certo dia um jovem, velho conhecido,
Que não aparecia há anos no vilarejo
Apareceu de surpresa e, propositadamente,
Desatou a conversar com a pobre moça
Que descansava no assento da praça 
Que ficava em frente à escola
Num certo momento a iludida gabou-se,
Disse que, por ser muito bonita, não tinha amigas
Por que todas, sem exceção, a invejavam
O jovem, que era de sua confiança, disse-lhe
Que tudo aquilo não passava de uma mentira
Que ela não se via como realmente era
Mas todos faziam questão de esconder isso dela
Que tinha uma deficiência no cérebro
E por isso não via as imagens como os olhos captavam
Disse-lhe também que era a mais feia
A menina, em desespero, correu para casa
Chegou-se a sua mãe e pediu-lhe que negasse
A mãe com os olhos inundados disse:"Filha..."
A jovem prostrou-se e de súbito gritou:
"Eu sou feia!"

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Mudança


Ela sentia-se diferente, outrora queria muitas coisas
Agora nem tantas assim
Sua mudança não era drástica
Nem era imperceptível
Tornou-se mais calma e fria
Sentia-se vazia e pesada
Outrora não sabia o que esperar do futuro
Continuava sem o saber
Mas agora não o esperava com anseio
Tinha medo, estava aflita
Continuava a querer muito algo
E todo o resto já não residia em seu coração
Suas incertezas lhe machucavam
E suas culpas lhe cansavam
Gritava sem emitir som e já não pedia ajuda
Temia os outros, temia seus conflitos
Envergonhava-se da dúvida
Parou pra pensar e nada decidiu



sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Confusão




























Caminhavam dois amigos conversando pela rua quando viram uma mulher andando e falando só
A menina perguntou ao seu amigo: "Ela é doida?"
"Não"-respondeu o amigo-"ela sempre foi como a gente, normal."
"E o que a deixou desse jeito?"-perguntou a menina.
O menino disse: "Ela tentou ser aquilo que as pessoas esperavam dela e começou a ficar confusa por não saber se seria ela, outra pessoa, ou o que queria de verdade."

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Oportunidades



No auge de seus 70 anos estava ela
Cabelos completamente brancos, pele enrugada e pernas fracas, sentada em sua poltrona, quieta
Observava o burburinho dos seus netos na efusividade proveniente da festa a família estava toda reunida
Sua irmã, um pouco mais nova que ela, aproximou-se e desatou a conversar e contando suas novas experiências
Fazia trabalhos humanitários e estava cheia de planos e alegria
Sugeriu-lhe que fizesse parte de algo assim, mas sua resposta, muito comum e evasiva, foi:
"Já passei da idade de fazer essas coisas"
Sua irmã imediatamente retrucou:
"Eu tenho quase a mesma idade que você e estou trabalhando muito bem nisso"
E concluiu:
"Toda sua vida você disse isso, já percebeu quantas oportunidades de mudar sua vida você perdeu?"
A anciã calou-se imediatamente, como se arrependia de tudo que não fez

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Despedida



Mal dormiu naquela noite
Pensou em como viveria depois daquele dia
Levantou-se cedo
Chorou sem parar até soluçar
Lavou o rosto
Se arrumou e se perfumou
Criou coragem
Seguiu para a estação
Onde encontrou o seu grande amor
Aquele rosto que tantas vezes o consolava
Parecia abatido
Como se tivesse perdido igual noite
Abraçaram-se demoradamente
Sentiu que lhe faltou o ar
E a insuportável dor que surgiu no peito
Veio despontar nos olhos
Como cristalinas lágrimas
Aquele abraço pareceu uma eternidade
Não se ouviam sons
Já não se sabiam onde estavam
Se possível fosse se fundiriam
Para evitar a separação
Mas o tempo passou
E aquela tão temida hora chegou
Separaram-se, foram em direções opostas
O que seria daquele amor?

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Crianças



Ela amava crianças, amava a miniaturização humana que a criança representa
Amava a inocência e sinceridade pura dessas doces criaturas
Mas odiava crianças com a mesma intensidade e pelo mesmo motivo
Odiava a capacidade das crianças de reproduzirem tão perfeitamente
Os preconceitos, as sujeiras e até os jargões da tão suja sociedade
Naquele dia chuvoso seguia seu caminho costumeiro
Passava por aquele mesmo centro pediátrico cheio de crianças
Mas naquele dia viu uma médica sair e dizer:" Mãe, venha cá,
Seu filho foi chamado e se recusou a entrar sem você"
Aquela frase foi de certo modo perturbadora para aquela moça
Sentiu ternura, imaginou a criança pedindo pela mãe
Sentiu tristeza, sabe-se lá por que, depois sentiu raiva
Esta era por causa da mudança que seres tão dóceis sofrem
Viram monstros que xingam professores, batem em idosos
Usam drogas, viram bandidos, políticos corruptos
Ela compreendeu que a fonte de sentimentos tão opostos por crianças
Era o seu amor pela humanidade e seu ódio de igual força pela mesma
E assim seguiu caminho acalmando seus sentimentos conflitantes

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Fixação




Ele é daqueles que parecem normais,
Mas ninguém é normal quando se olha de perto
E ele não foge à regra, possui estranhas manias
Dentre elas a mais estranha é a de observar as pessoas
Observar só? Não
É uma espécie de veneração ou investigação
Não se contenta em apenas ver as pessoas
Algumas pessoas lhe chamam à atenção
E ele vai buscá-las onde puder achá-las
É como um jogo para descobrir quem são
Não quer apenas o que todos sabem
Ele quer mais, quer o que pensam, o que sentem
Quase sempre acaba por conhecê-las
Torna-se amigo, conhece seus medos, vontades
Descobre quem são de verdade
Ajuda, estimula, encoraja, encanta e vicia,
Torna-as dependentes dele e depois independentes
E quando se cansa da mesmice, deixa-as,
Por que outras pessoas já chamaram a sua atenção
Vai em busca das outras, não só por que se cansou
Mas por que acha que pode ajudá-las a ver a vida
E continua sempre nesse ciclo, precisa disso
Precisa das pessoas a sua volta
E por falar nisso, lá está ele agora
Vidrado na menina de unhas coloridas
Percebeu que ela mudou a cor do esmalte
E acaba de descobrir onde ela estuda

sábado, 8 de janeiro de 2011

Voltar no tempo



Naquela tarde de férias,
Dia ensolarado,
Areia de gliter,
Águas turvas.
Naquele vestido branco,
De chapéu de palha,
Ela refletia.
Aquela mulher 
Ouvia seu coração
Falar ao som do mar.
Teve muitos amores,
Viveu grandes paixões,
Namorou amigos,
Agora vivia só.
Seu último amor
Pediu-lhe a mão,
Não quis,
A idéia de casar assustou.
Agora, dois anos depois,
Imaginava-se
Naquela praia
Com marido e filhos
Brincando na areia,
Sentiu saudade,
Quis voltar no tempo,
Não podia

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Três


Eram três
Dois deles se amaram com um ódio mortal desde o início
Dois deles se amaram com um amor difícil de compreender
Dois se estranharam à primeira vista
Depois de muitas revelações, trocas, aceitação e perdão
A primeira dupla continua assim e com um amor mais forte
A segunda dupla se aproxima da descrição da primeira e com muito amor
A terceira dupla tornou estranheza aceitação e se amam
São três juntos, que se separam vez por outra
Mas que estão unidos e se amam sempre aos pares
E em conjunto
Quando vai acabar?
Não sei nem se vai acabar

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Como se ama ?



Sempre que vejo você eu quero saber
Pra mim é mistério
E não é ensinado
Às vezes não sei por que é tão difícil aprender
Pra todo mundo eu pergunto
E mesmo assim não descrubo
Acredito que você pode me trazer
Mas eu corro
Tenho medo e fujo
Mas sei que um dia não vou ter o que fazer
Sei que um dia eu paro
E digo: Me mostra como amar você!

domingo, 2 de janeiro de 2011

Desistiu



Ela estava num ônibus cheio,
Algo excepcional numa tarde de domingo
Um garoto estava sentado ao seu lado
Aparentava ter uns 11 anos
Carregava uma mochila que colocou entre os pés,
Estava cansado e sonolento
Cochilou e, num brusco movimento do ônibus
Bateu com a cabeça no recosto da cadeira,
Acordando assustado
Ela, que estava refletindo numa criação,
Olhou para o garoto encarecidamente e
Pensou em oferecer-lhe o colo
Essa expressão de seu extinto materno
Foi imediatamente contrariada por seu senso de sociedade
Lembrou-se de que a mãe do garoto estava por perto
Imaginou o que os outros iriam pensar
E previu o constrangimento pelo qual o garoto poderia passar
Imediatamente desistiu,
Ainda que relutante por causa das oscilações hormonais,
Que lhe eram piores do que doenças,
Desistiu e seguiu viagem.

"Você não me ensinou a amar"


"Definitivamente não sei amar", disse o jovem moço a sua mãe
Ele que vivera dezenas de paixonites platônicas,
Estava convicto de que não havia amado ninguém
E se perguntava se passaria o resto de sua vida daquela forma
Tinha muitos amigos, principalmente amigas
Às quais amava de forma tão altruísta que daria inveja a qualquer cristão
Amava muito, mas o seu amor era fraterno
Queria ajudar os outros a viver melhor e serem felizes
Mas não sabia o que era amor romântico,
O qual tem um pouco de amor fraterno, mas não o é na sua essência
Depois de concluir que não sabia amar,
Disse cabisbaixo e tristonho à sua mãe: "Você não me ensinou a amar!"