quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Crianças
Ela amava crianças, amava a miniaturização humana que a criança representa
Amava a inocência e sinceridade pura dessas doces criaturas
Mas odiava crianças com a mesma intensidade e pelo mesmo motivo
Odiava a capacidade das crianças de reproduzirem tão perfeitamente
Os preconceitos, as sujeiras e até os jargões da tão suja sociedade
Naquele dia chuvoso seguia seu caminho costumeiro
Passava por aquele mesmo centro pediátrico cheio de crianças
Mas naquele dia viu uma médica sair e dizer:" Mãe, venha cá,
Seu filho foi chamado e se recusou a entrar sem você"
Aquela frase foi de certo modo perturbadora para aquela moça
Sentiu ternura, imaginou a criança pedindo pela mãe
Sentiu tristeza, sabe-se lá por que, depois sentiu raiva
Esta era por causa da mudança que seres tão dóceis sofrem
Viram monstros que xingam professores, batem em idosos
Usam drogas, viram bandidos, políticos corruptos
Ela compreendeu que a fonte de sentimentos tão opostos por crianças
Era o seu amor pela humanidade e seu ódio de igual força pela mesma
E assim seguiu caminho acalmando seus sentimentos conflitantes
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