terça-feira, 31 de maio de 2011

O Cheiro


O cheiro dela lhe era ímpar.
Não era o seu perfume de notas ambaradas e doces
Que, em outras pessoas ,não tinha o mesmo aroma.
Era o cheiro do toque de lábios em sua pele,
Era o cheiro dos cabelos lavados sobre o colo.
Um cheiro que ficava em sua pele por horas dos dias.
Aquele cheiro nada lhe dizia,
Apenas despertava seus instintos.
Passava o tempo respirando fundo, a se afogar.
Longe dela não conseguia imaginar seu cheiro,
Só lembrava da sensação que este causava.
Era o cheiro que vivia a lembrar.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Ela se engana

Ela mudou, não sabe exatamente o que mudou, mas sente falta do que não é mais.
Ela faz o que ela quer e não faz o que não quer. Mas mesmo sem saber, quer o que não quer e, por não saber, não o faz.
Ela fica às vezes perdida na linha do tempo da sua vida, tentando contar como chegou ali.
Ela, quando para e pensa, quer chorar, mas quase nunca pode. Ela não tem tempo pra chorar.
Ela se sente só, sente falta de ela nem sabe o que. Não dá pra saber do que sente falta quando você nunca teve aquilo que quer.
Ela se sente realizada, mas não percebe o que ganhou com tudo que fez. Não sabe nem se ganhou ou perdeu.
Ela se questiona e, nessas crises, o faz até silenciar pelo cansaço seu coração. Tem medo de se responder, não quer reconhecer se errou ou acertou. Prefere viver se enganando.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Flores

Num dia quente, daqueles em que não se sabe se haverá sobreviventes, Pedrinho estava entediado, deitado no chão assistindo à televisão. Por um momento raciocinou que o jardim estaria mais frio ou menos quente, dirigiu-se então para o jardim. Foi só chegar ao jardim para perceber que sua suposição estava errada. Mas algo prendeu a atenção de Pedrinho, o jardim da vizinha parecia mais bonito que nunca. O menino não se contentou em apena olhar de longe, foi andando pela frente da casa até o jardim vizinho. Lá estando, pôs-se a admirar tocar e cheirar as flores, de repente veio à sua mente a lembrança de sua mãe lhe dizendo que mexer com as flores da vizinha daria em briga. Lembrou-se tarde e já podia ver o vulto da vizinha na janela, não esperou muito e já estava de volta a sua casa. Sentou-se em frente à televisão e desligou-a, indignou-se por desejar as flores da vizinha mais do que qualquer outra e não poder tê-las.

domingo, 27 de março de 2011

Sonhos


 Como aqueles sonhos que passamos anos nutrindo era aquele momento para ela.
Imaginou e até sonhou com cada coisa que aconteceria naquele dia.
Planejou tudo que faria e o que falaria.
Ela não conseguia se certificar de que o que acontecia era verdade.
Era bom, mas foi ficando ruim, algo não estava saindo como nos sonhos.
Almejava perfeição maior do que a que o momento chegava a exibir.
Havia sonhado e esperado tanto por isso que a realidade não podia contentá-la.
Esqueceu-se de viver, esqueceu que nada é perfeito e ficou presa nos sonhos.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Química

Ela, que fazia graduação em química, sabe-se lá por que, questionava-se a respeito do comportamento comum nas relações humanas que desenvolvera e observara durante a vida. Em uma das suas aulas de química seu professor lhe explicou que o estado fundamental dos elemtos químicos corresponde à espécie mais simples e no estado de menor energia encontrado nas condições padrão. Soube ainda que os estados excitados são instáveis e tendem a voltar para o estado fundamental rapidamente. Ao ouvir isso, concluiu ela:"As relações humanas seguem a lei geral do universo, tendem ao estado de mais baixa energia, estados excitados não duram muito!"

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Desencontro

Ele a observou chegar, linda e suave como a brisa da manhã daqueles dias de início de primavera
Era tão linda que todos ficaram comentando
Era a novata do terceiro ano da escola, chegou no meio do ano, vinda de outro estado
Todos queriam conhecê-la melhor e trazê-la para seus grupinhos
Mas ele ficou somente observando o que ela faria
Na primeira semana percebeu que ela era muito extrovertida e brincalhona
Não gostou, evitou-a todos os meses daquele ano letivo
Até que veio a formatura e não se viram por alguns anos
No seu estágio de administração acabou por conhecer uma jovem
Estudante de jornalismo, extremamente comunicativa e bela
Se conheceram numa reunião da empresa
Ele, que já não era tão conservador, admirou a postura da moça
Convidou-a para um café depois do almoço
Desse seguiram-se muitos cafés e longas conversas na volta pra casa
Até que numa dessas descobriu que sua colega de trabalho
Não era ninguém menos do que a garota do terceiro ano
Ela contou-lhe que foi muito apaixonada por ele, mas ele não lhe dava atenção
Tentou sem sucesso se aproximar dele na época da escola
Ele se desculpou e explicou que era muito antiquado, mas que isso havia mudado
Disse que estava muito apaixonado e queria namorá-la
Ela disse que agora não poderia, estava casada e o tempo não poderia voltar atrás
Ele lamentou-se, não havia o que fazer.