sábado, 28 de julho de 2012

Luxúria


Esta mulher, de quem começo a falar agora, já estava a chegar na metade da sua terceira década de vida.
Entre amores inventados, amores mal vividos e muitos maus tratos da vida ela não se deixou ter relações duradouras.
Ou não conseguiu, ela costumava se delongar ao tentar desvendar por que isso havia acontecido.
Ora achava que era culpa do seu beatismo, que controlou suas ações em boa parte de sua juventude.
Ora concluía que o mundo era mal mesmo, os homens não prestavam e estava descobrindo que as mulheres também.
Ela estava só e não pretendia mudar isso enquanto não achasse alguém que realmente mudasse seu modo de pensar.
Na sua mente, ainda muito religiosa, se culpava pelas suas recentes investidas com mulheres e com homens também.
Se julgava obscena, indecente, mas gostava disso e, mesmo assim, sofria com isso.
Pensava que já havia tentado de tudo e não tinha alcançado o sucesso nas suas relações amorosas.
Certa noite, ao ler um livro que lhe fora indicado, que tratava de um depoimento real, se surpreendeu.
Tal livro tratava da luxúria como ela nunca havia visto antes, a personagem se divertia dos seus feitos, os considerava uma revolução.
Havia vivido e sentido prazer de tantas formas que muitos, nem de perto, imaginariam que alguém poderia fazer.
A mulher se inspirou, começou a achar que nada havia visto da vida ainda, queria luxúria, começou a alimentar a insaciedade do desejo do seu corpo.
Achou sua heroína, a tal personagem de mais de seis décadas de vida bem gozada e bem vivida.
Queria ser assim, buscar uma relação era bobagem para quem podia ter muitas, plurais e diversas relações.
Pensou em planejar, mas planejar o que? O desejo acontece, sacia-se. Sexo se faz, diverte-se.

Nenhum comentário:

Postar um comentário