Ele a observou chegar, linda e suave como a brisa da manhã daqueles dias de início de primavera
Era tão linda que todos ficaram comentando
Era a novata do terceiro ano da escola, chegou no meio do ano, vinda de outro estado
Todos queriam conhecê-la melhor e trazê-la para seus grupinhos
Mas ele ficou somente observando o que ela faria
Na primeira semana percebeu que ela era muito extrovertida e brincalhona
Não gostou, evitou-a todos os meses daquele ano letivo
Até que veio a formatura e não se viram por alguns anos
No seu estágio de administração acabou por conhecer uma jovem
Estudante de jornalismo, extremamente comunicativa e bela
Se conheceram numa reunião da empresa
Ele, que já não era tão conservador, admirou a postura da moça
Convidou-a para um café depois do almoço
Desse seguiram-se muitos cafés e longas conversas na volta pra casa
Até que numa dessas descobriu que sua colega de trabalho
Não era ninguém menos do que a garota do terceiro ano
Ela contou-lhe que foi muito apaixonada por ele, mas ele não lhe dava atenção
Tentou sem sucesso se aproximar dele na época da escola
Ele se desculpou e explicou que era muito antiquado, mas que isso havia mudado
Disse que estava muito apaixonado e queria namorá-la
Ela disse que agora não poderia, estava casada e o tempo não poderia voltar atrás
Ele lamentou-se, não havia o que fazer.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Ataque
Mariazinha moça bonita, bem feita de corpo
Ficava ainda mais bonita naqueles que ela chamava dias de sofrimento mensais
E era exatamente nesses dias que ela ficava muito nervosa
Certa vez teve que sair e, na rua, não havia homem que não a olhasse com desejo
A maioria lhe dirigia comentários, Mariazinha ficava furiosa,
Mas se conteve até que um rapaz, além de falar-lhe, tocou-lhe nas mãos
A moça, que era usualmente pálida, corou, foi pra cima do rapaz
Cravou-lhe as unhas no pescoço e começou a gritar coisas sem sentido
Todos atordoados olhavam e nada faziam para acudir o rapaz
Até que um policial chegou e, a muito custo, conseguiu fazê-la parar
Não foi presa, alegou instabilidade emocional
E desde então todos os rapazes temem dirigir-lhe a palavra
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Sou feia
Era uma garota de cerca de 15 anos
Se achava a mais bela das garotas da sua escola
Sua família, que sabia do seu problema,
O escondia dela debaixo de sete capas
Faziam de tudo, tudo mesmo, para protegê-la
Mas um certo dia um jovem, velho conhecido,
Que não aparecia há anos no vilarejo
Apareceu de surpresa e, propositadamente,
Desatou a conversar com a pobre moça
Que descansava no assento da praça
Que ficava em frente à escola
Num certo momento a iludida gabou-se,
Disse que, por ser muito bonita, não tinha amigas
Por que todas, sem exceção, a invejavam
O jovem, que era de sua confiança, disse-lhe
Que tudo aquilo não passava de uma mentira
Que ela não se via como realmente era
Mas todos faziam questão de esconder isso dela
Que tinha uma deficiência no cérebro
E por isso não via as imagens como os olhos captavam
Disse-lhe também que era a mais feia
A menina, em desespero, correu para casa
Chegou-se a sua mãe e pediu-lhe que negasse
A mãe com os olhos inundados disse:"Filha..."
A jovem prostrou-se e de súbito gritou:
"Eu sou feia!"
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Mudança
Ela sentia-se diferente, outrora queria muitas coisas
Agora nem tantas assim
Sua mudança não era drástica
Nem era imperceptível
Tornou-se mais calma e fria
Sentia-se vazia e pesada
Outrora não sabia o que esperar do futuro
Continuava sem o saber
Mas agora não o esperava com anseio
Tinha medo, estava aflita
Continuava a querer muito algo
E todo o resto já não residia em seu coração
Suas incertezas lhe machucavam
E suas culpas lhe cansavam
Gritava sem emitir som e já não pedia ajuda
Temia os outros, temia seus conflitos
Envergonhava-se da dúvida
Parou pra pensar e nada decidiu
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Confusão
Caminhavam dois amigos conversando pela rua quando viram uma mulher andando e falando só
A menina perguntou ao seu amigo: "Ela é doida?"
"Não"-respondeu o amigo-"ela sempre foi como a gente, normal."
"E o que a deixou desse jeito?"-perguntou a menina.
O menino disse: "Ela tentou ser aquilo que as pessoas esperavam dela e começou a ficar confusa por não saber se seria ela, outra pessoa, ou o que queria de verdade."
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Oportunidades
No auge de seus 70 anos estava ela
Cabelos completamente brancos, pele enrugada e pernas fracas, sentada em sua poltrona, quieta
Observava o burburinho dos seus netos na efusividade proveniente da festa a família estava toda reunida
Sua irmã, um pouco mais nova que ela, aproximou-se e desatou a conversar e contando suas novas experiências
Fazia trabalhos humanitários e estava cheia de planos e alegria
Sugeriu-lhe que fizesse parte de algo assim, mas sua resposta, muito comum e evasiva, foi:
"Já passei da idade de fazer essas coisas"
Sua irmã imediatamente retrucou:
"Eu tenho quase a mesma idade que você e estou trabalhando muito bem nisso"
E concluiu:
"Toda sua vida você disse isso, já percebeu quantas oportunidades de mudar sua vida você perdeu?"
A anciã calou-se imediatamente, como se arrependia de tudo que não fez
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